Só agora vejo o
quanto aquele do Grêmio que disputou a Copa Libertadores de 2007 era um ótimo time. Não tecnicamente. Era uma equipe aplicada taticamente e com uma vontade enorme de vencer. Embora não trouxesse nenhum troféu significativo, aquele time foi vencedor porque superou suas limitações e devolveu ao torcedor o orgulho de ser gremista, o orgulho de ir ao Olímpico, o orgulho de fazer um buzinaço depois de cada vitória. Devolveu o orgu
lho de vestir o azul.Nunca fora vista no Olímpico tamanha sintonia e cumplicidade entre time e torcida. Cumplicidade esta que levava milhares à Azenha mesmo com resultados desfavoráveis e tidos pela imprensa como irreversíveis.

O Grêmio, após anos, tinha um goleiro. A zaga contava com Teco em grande fase. Lúcio, que veio sob enorme desconfiança, inclusive minha, deslanchou. Como primeiro homem, Gavilán. Grande Gavilán. Jogou demais a Libertadores. Foi um dos po
ucos erros de avaliação de Mano Menezes. Foi até certo ponto injustiçado e, assim como Sandro Goiano, não saiu do clube como deveria. Lucas jogou o início e a final da Libertadores. Era talvez o melhor do time quando se lesionou.Mais à frente Diego Souza, a melhor surpresa do ano. Muita força, vo
ntade e técnica, com certeza um grande jogador. Junto com Diego, Tcheco. Tcheco dispensa comentários. Era o símbolo daquele Grêmio. Superava todas as limitações técnicas e físicas com extrema vontade e entrega. Foi decisivo na fase final da competição, marcando gols em três partidas seguidas no Olímpico. E tínhamos também o Carlos Eduardo, que foi a revelação do Grêmio no ano.Hoje, apenas Teco continua no Grêmio, daqueles onze que entraram em campo contra o Boca Juniors para disputar a final da Copa Libertadores da América. Pouco mais de oito meses após essa final e só um atleta resta. Mesmo após uma ótima campanha, o Grêmio deixou seu plantel se desmanchar, apesar de contar com um grupo barato, com excessão de Lucas e Cadu.
Ocorreu um erro de avaliação terrível na qual se estão colhendo os frutos agora.
O Grêmio achou que era hora de renovação, mas não deveria realizar uma "operação desmanche".O que encontramos agora é um time desclassificado na Copa do Brasil e assistindo à finais do Gauchão. Além disso, um treinador muito questionável e um grupo de jogadores insuficiente.
Continuamos a mercê da sorte, torcendo que acontecimentos extremos ocorram e mudem esse parâmetro.
A torcida e o Grêmio mereciam mais respeito!



